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SIMEDPB

20/10/2026

SIMED-PB participa do lançamento do Observatório da Violência contra o Médico na Paraíba

Sindicato destacou a importância da iniciativa

O Sindicato dos Médicos da Paraíba (SIMED-PB) participou, nesta segunda-feira (19), do lançamento do Observatório da Violência contra o Médico, iniciativa do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) para registrar, monitorar e analisar episódios de violência contra profissionais da Medicina. A solenidade foi realizada na sede do Conselho, em João Pessoa, e reuniu representantes das entidades médicas, como Associação Médica da Paraíba, do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PB), da Polícia Civil, diretores técnicos de hospitais e familiares da médica Maria Emília Fernandes Vieira, assassinada durante o exercício profissional, em 1994.

Durante o evento, o presidente do SIMED-PB, Dr. Tarcísio Campos, ressaltou que a violência contra médicos precisa ser enfrentada também a partir do reconhecimento das condições de funcionamento dos serviços de saúde. Segundo ele, problemas como superlotação, falta de equipamentos e ausência de medicamentos não podem ser colocados na conta dos profissionais que estão na linha de frente do atendimento.

“Infelizmente, quando o paciente encontra algum problema na unidade de saúde, como superlotação, falta de equipamento ou de medicamento, ele coloca a responsabilidade no médico ou nos outros profissionais de saúde. E eles não são culpados por esta falta de estrutura”, afirmou o presidente do SIMED-PB.
O secretário-geral do sindicato, Dr. Fernando Melo, também esteve presente no lançamento e reforçou a importância dessa iniciativa.

Pesquisa revela índices preocupantes de violência contra médicos

A criação do Observatório ocorre em um cenário preocupante. Pesquisa realizada pelo CRM-PB, em 2025, com 611 médicos, revelou que 80,4% dos entrevistados já sofreram violência verbal durante o exercício profissional. O levantamento também apontou que 62,2% foram vítimas de violência moral, 9,5% sofreram violência física, 5,2% relataram violência sexual e 37,2% vivenciaram situações de discriminação.

Para o presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza, os dados reforçam a necessidade de identificar onde e como os episódios acontecem, permitindo a adoção de medidas efetivas de prevenção e proteção. Ele também chamou a atenção para a vulnerabilidade das médicas diante da violência nos ambientes de trabalho.

O Observatório deverá contribuir para a construção de um diagnóstico mais preciso da realidade enfrentada pelos profissionais, além de subsidiar ações institucionais e a articulação com órgãos públicos e outras entidades.

Como denunciar casos de violência

Os médicos poderão registrar denúncias por meio do aplicativo **CRMPB ON**, disponível para dispositivos com sistemas iOS e Android. Também poderão comunicar as ocorrências aos diretores técnicos das unidades de saúde onde trabalham.

Conforme a resolução do CRM-PB, a notificação dos casos de violência contra médicos será obrigatória para os diretores técnicos das unidades de saúde. A medida busca ampliar o registro das ocorrências e fortalecer o acompanhamento institucional dos casos.

Homenagem à médica Maria Emília Fernandes Vieira

A solenidade também foi marcada por uma homenagem à médica ginecologista e obstetra Maria Emília Fernandes Vieira, assassinada em 1994, durante o exercício profissional, no PAM de Jaguaribe, em João Pessoa. Familiares receberam a comenda “Árvore da Vida”, entregue pelo presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza, e pelo primeiro vice-presidente, Walter Azevedo.

A homenagem reconheceu a memória da médica e reforçou a importância de manter vivo o debate sobre a segurança dos profissionais de saúde nos locais de trabalho.

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